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Mamoa do Lameiro do Ouguedelo

Localização

Cronologia

Neolítico.

Descrição

Monumento de grandes proporções localizado numa pequena esplanada à cota média de 723m e perfeitamente visível, marcando profundamente a paisagem conjuntamente com os afloramentos rochosos que lhe estão próximos. Este dólmen é tão impressionante que Amorim Girão não resistiu em o escavar “(…) à custa de grandes sacrifícios, e que fora determinada pelo facto de a anta se revelar absolutamente intacta (…)” (Girão, 1921: 67).

Efetivamente, os relatos deste investigador revelam-nos um sepulcro megalítico em excelente estado de conservação, contrastando, infelizmente, com o que hoje podemos observar. Girão encontra este dólmen ainda com a grande laje de cobertura da câmara, com 3,90 m de comprimento e 2,90 m de largura, definindo-o como “uma mamoa quási perfeita, escondendo totalmente uma anta com galeria voltada a NE.” (Girão, 1921: 66). A escavação que então efetuou revelou uma câmara de 9 esteios e um corredor com 10 ortostatos, 5 de cada lado.

Deste conjunto arquitectónico, restam hoje, na câmara sepulcral, para além do esteio de cabeceira, 3 esteios do lado Norte e 2 do lado Sul, tendo por isso desaparecido 3 esteios deste espaço. Dos 10 esteios do corredor observados por A. Girão, apenas se conservam 6, estando um no lado SE, 4 do lado NE e um deslocado e tombado. A laje de cobertura da câmara desapareceu.

Assim, tendo em conta os dados obtidos por Girão e pelo que podemos hoje observar, a Mamoa do Lameiro do Ouguedelo encerra um dólmen complexo, de câmara poligonal e corredor diferenciado em planta e alçado. A câmara poligonal alongada de 9 esteios em granito, tem de largura 2,70m e 3,30m de comprimento. O possante esteio de cabeceira, perfeitamente vertical, apresenta 1,70m de largura e 0,40m de espessura. O corredor composto por 5 esteios de cada lado, encontra-se orientado a NE. (55° N) e apresenta cerca de 5,40m de comprimento e 1,70m de largura à entrada da câmara. A orientação que o corredor, a NE., é um aspeto bastante curioso, tendo em conta que quase a totalidade os dólmens de corredor se apresentam voltados a SE ou E.SE.

Um outro aspeto deste monumento referido por todos que os visitam é a excelente conservação em que se encontra a mamoa, cuja altura é, inclusivamente, maior do que a dos esteios da câmara. Com uma forte couraça pétrea, apresenta 27,5m no eixo Norte-Sul e 30m no eixo Este-Oeste e uma altura máxima preservada de cerca de 3m.

Imagens

Vídeos

Fontes

Bibliografia

  • Bettencourt, A. (1981). Contributos para a Carta Arqueológica do concelho de Sever do Vouga. Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Trabalho escolar apresentado ao Instituto de Arqueologia da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Policop
  • Bettencourt, A. (1988). Carta arqueológica do concelho de Sever do Vouga. Sever de Vouga, Portugal, 250p, policop
  • Bettencourt, A. (1989). Campanha de escavação e consolidação da Mamoa 1 da Cerqueira, Serra de Arestal Sever do Vouga. “Arqueologia”, 19: 87-113.
  • Castro, L. A., Ferreira, O. V. e Viana, A. (1957). Acerca dos monumentos dolménicos da bacia do Vouga. Atas do 23º Congresso LusoEspanhol para o Progresso das Ciências. Coimbra. pp. 471-481.
  • Girão, A. de A. (1921). Antiguidades Préhistóricas de Lafões. Coimbra.
  • Leisner, V. (1998). Die megalithgrãber der iberischen halbinsel. Der Western. Walter de Gruyter. Berlin - New York.
  • Moita, I. (1966). Características predominantes do grupo dolménico da Beira Alta, Ethnos, V: 189-277, XX Est.
  • Pêgo, M. C. C. (2002). Roteiro do Megalitismo - Legados de Sever do Vouga. Câmara Municipal de Sever do Vouga.
  • Ramos, F. S. (1998). Sever do Vouga - Uma Viagem no Tempo. Sever do Vouga. Câmara Municipal de Sever do Vouga

Museu Municipal de Sever do Vouga 2020/04/24 12:53

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