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Mamoa da Terranha

Localização

Cronologia

Neolítico.

Descrição

“Ocupa uma posição geográfica proeminente quase no extremo este da grande plataforma da Serra do Arestal. Efetivamente, este monumento domina visualmente toda a envolvente assumindo igualmente um volume que facilmente se demarca da paisagem, funcionando certamente como um ponto de referência para as populações pré-históricas.

Ao explorar este monumento nos inícios do séc. XX, Alberto Souto exumou um vaso de forma troncónica decorado com uma fiada de mamilos sob o bordo, duas lâminas em sílex e dois machados de pedra polida. Existem informações que indicam que este investigador terá levado os esteios para o museu de Aveiro, com o fim de reconstituir o monumento nesta cidade (Bettencourt, 1988/89: 20).

Atualmente, o monumento apresenta uma grande vala de violação certamente resultante da retirada dos esteios por Alberto Souto. A mamoa, composta por terra e elementos de granito e quartzo, apresenta um contorno circular com 19m de diâmetro e uma altura máxima preservada de cerca de 2 m no extremo oeste. Infelizmente, possuímos muito poucas informações das escavações de Alberto Souto o que impossibilita fazer considerações mais específicas sobre o tipo de monumento que a mamoa cobriria.

Pelas suas dimensões, seria certamente um monumento megalítico com uma dimensão considerável edificado provavelmente no neolítico. O achado do vaso troncónico faz supor uma reutilização do espaço tumular por populações da Idade do Bronze, facto de modo algum inédito no megalitismo do Centro de Portugal. Este monumento encontra-se integrado numa interessante necrópole tumular composta por mais 4 sepulcros e um menir. A primeira notícia conhecida a um monumento nesta zona é feita por Amorim Girão quando escreve “Foi o caso que, examinando nós os restos duma mamoa bastante danificada, na vasta explanada de Sant'iago do Arestal (Macieira de Cambra), (…)” (Girão, 1921: 28). É muito difícil saber a qual dos monumentos desta necrópole se referia A. Girão, dúvida já referida por Vera Leisner no corpus de monumentos megalíticos do Centro de Portugal (Leisner, 1998: 110).”

O espólio exumado e o esteio que se encontravam depositados no Museu de Aveiro, estão expostos no Museu Municipal.

Fontes

Bibliografia

  • Bettencourt, A. (1981). Contributos para a Carta Arqueológica do concelho de Sever do Vouga. Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Trabalho escolar apresentado ao Instituto de Arqueologia da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Policop
  • Bettencourt, A. M. S. (1982). A propósito de um vaso troncocónico do Museu de Aveiro. Arqueologia. Porto. 5: 40-43.
  • Bettencourt, A. (1988). Carta arqueológica do concelho de Sever do Vouga. Sever de Vouga, Portugal, 250p, policop
  • Bettencourt, A. e Rebelo, T. (1988/89). Monumentos megalíticos da Serra do Arestal (Sever do Vouga Vale de Cambra). Inventário preliminar. “Portugália”. Porto. Nova série:9-10: 7-30
  • Girão, A. de A. (1921). Antiguidades Préhistóricas de Lafões. Coimbra.
  • Silva, M.M.M (1986). Megalitismo na bacia hidrográfica do baixo Vouga, Coimbra (trabalho apresentado ao Instituto da Universidade de Coimbra no âmbito da disciplina de Pré-Historia Peninsular Europeia), polic.

Museu Municipal de Sever do Vouga 2020/04/24 17:31

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