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Pedra Moura (Conjunto Megalítico)

Localização

Cronologia

Neolítico/Idade do Bronze

Classificação

  • Monumento 1 está classificado como Imóvel de Interesse Público. Decreto n.º 29/90, de 17 de Julho

Descrição

Monumento 1

Também denominado Anta da Cerqueira. “Este é o dólmen mais emblemático do concelho de Sever do Vouga. Representa em si o expoente do megalitismo. É grande (mega), bastante completo, sendo o único que ainda preserva chapéu da câmara e encontra-se recuperado. O topónimo é bastante elucidativo sobre marca na identidade de um sítio que o monumento deste tipo pode ter nas populações locais.

As primeiras referências são-nos dadas por A. Girão em 1921, sendo explorado mais tarde, entre Abril e Maio de 1956, por uma equipa de arqueólogos liderada por Albuquerque e Castro, que estudava os vestígios arqueológicos da bacia do Vouga. Em 1987 sofreu uma nova intervenção arqueológica e de restauro da responsabilidade de Ana Bettencourt. A abertura da estrada que liga a Cerqueira arrasou infelizmente a parte Este deste monumento, truncando o corredor e destruindo a sua área fronteira onde estaria localizado o átrio e outras estruturas relacionada com o acesso ao sepulcro.

O dólmen da Pedra da Moura é um típico dólmen de corredor que tão bem caracteriza o megalitismo do Centro de Portugal. A câmara sepulcral de 9 esteios e planta poligonal, apresenta 3,54m de largura, 3,00m de comprimento e a altura máxima observada de 2,18m. Ostenta ainda a laje de cobertura com cerca de 14,5 toneladas de peso. O corredor, bem diferenciado em planta e alçado, com 4,40m de comprimento, conserva ainda 6 esteios do lado Norte e 5 do lado Sul.

Os materiais arqueológicos exumados durante as escavações arqueológicas compreendem pontas de seta, micrólitos, lâminas, lamelas lascas, em sílex e quartzo, e pouca cerâmica. Particular relevo para o achado de dois fragmentos de uma lâmina em ouro, provavelmente de um objeto de adorno, achada nas escavações de 1956, hoje desaparecidas. Da lista de espólio encontrado, constam igualmente pequenos núcleos e fragmentos de mós que podem indiciar a existência de um pequeno povoado contemporâneo da construção do dólmen ou anterior.

Um outro aspeto interessante, são os vestígios de motivos gravados que se encontram na zona esquerda do esteio de cabeceira (Silva, 1997: 138). Dispostos num sequência vertical, podemos observar dois círculos gravados no intervalo dos quais surge uma linha horizontal serpentiforme, sendo motivos comuns da arte megalítica do Noroeste Peninsular.

O Dólmen da Pedra da Moura 1 terá sido edificado no Neolítico Final, há cerca de 5000 anos. Contudo, à semelhança de outros monumentos congéneres, terá sofrido de uma reutilização por comunidades mais tardias, já do Calcolítico ou mesmo da idade do Bronze.

Não podemos esquecer que este dólmen encontra-se inserido numa necrópole de mais 12 túmulos, alguns dos quais, pela tipologia das suas mamoas, deverão pertencer a uma fase plena da Idade do Bronze.”

Monumento 2

Esta mamoa encontrava-se já, na altura do estudo de 1956 efetuado por Albuquerque e Castro, Octávio da Veiga Ferreira e Abel Viana, destruído (Castro et alii, 1957). Interessa-nos ainda assim, indicar que a localização que estes autores fazem deste monumento, colocando-o muito próximo do Dólmen da Pedra da Moura 5, muito provavelmente onde hoje passa a estrada que liga Cerqueira ao Cercal.

Monumento 3

Também denominado Mamoa da Cerqueira 4. Alinhado com os monumentos 4 e 5, apresenta apenas conservado o montículo tumular. Efetivamente, trata-se de uma mamoa que se destaca perfeitamente na paisagem, apresentando um contorno circular com cerca de 15m de diâmetro. É referido no estudo de 1957, mas ao invés dos monumentos da Pedra da Moura 1, 4, 5 e 6, não foi explorado nessa altura.

Monumento 4

Também denominado Mamoa da Cerqueira 3. É um interessante monumento que apresenta características arquitetónicas bastante peculiares. Faz parte do conjunto de quatro monumentos escavados por Albuquerque e Castro, Octávio da Veiga Ferreira e Abel Viana em 1956 na necrópole da Pedra da Moura (Castro et alii, 1957).

Pelo que nos é possível determinar por essas escavações, este monumento é um dólmen de câmara simples, com câmara de planta trapezoidal provavelmente fechada, com 6 esteios preservados, envolto por uma possante mamoa de planta circular, com 13 m de diâmetro e 2 m de altura. Embora estes investigadores tivessem crivado as terras extraídas do interior do monumento, não terá sido achado qualquer peça arqueológica. Este é um dado igualmente importante, pois poderá indicar um momento antigo do megalitismo regional, provavelmente situado entre os finais do IV e os princípios do Vº milénio A. C., ou seja, há cerca de 6000 anos.

Monumento 5

Também denominado Mamoa da Cerqueira 2. Implantado a apenas 15m a sul do monumento 4. Também este apresenta uma arquitetura muito interessante. A par dos monumentos vizinhos 1, 4 e 6, também este foi alvo de escavação arqueológica por parte da equipa de arqueólogos liderada por Albuquerque e Castro (Castro et alii, 1957).

Essa intervenção colocou a descoberto uma câmara de planta quadrangular, tipo cista megalítica. Dos cinco esteios então registados, apenas se conseguem observar dois. A mamoa, uma das melhores preservadas do concelho, apresenta um contorno elíptico com 16m no eixo norte-sul e 18,5m no eixo este-oeste e cerca de 3m de altura. Normalmente este tipo de tumulus, de forma elíptica, encerra um dólmen de corredor. Certezas só quando este monumento for alvo de uma nova intervenção. O espólio exumado durante as escavações de 1956 é composto por apenas 1 micrólito geométrico.

Monumento 6

Também denominado Mamoa da Cerqueira 9. Situava-se numa zona periférica de uma grande chã de vertente a este da Serra do Arestal e a cerca de 60m a oeste da Mamoa da Cerqueira 1. Tratava-se do monumento mais alto e de maior diâmetro da necrópole da Cerqueira ou Pedra da Moura.

A câmara, possivelmente sub-quadrangular, revelou apenas dois esteios quando escavada. Media no sentido este-oeste cerca de 1,40m, pelo que se poderá tratar de uma cista. Segundo os arqueólogos que a exploraram em 1956, o fundo da câmara encontrava-se “escavado à maneira de concha e revestido ou calcetado, de delgadas lages de gneiss”. Foi totalmente destruído devido aos arroteamentos agrícolas.

Monumento 7

Mamoa totalmente destruída. Localizava-se a poucos metros a norte do monumento 6.

Monumento 11

Localizado no topo de uma elevação, quase no extremo de uma curva de nível, dominando a explanada a sul por onde se distribuem os monumentos 2, 3, 4, 5 e 11, este monumento, apresenta visíveis os topos de 3 esteios em granito, um deles completo que aflora 0,40m acima do solo.

Como este monumento não foi intervencionado, torna-se difícil adiantar que tipo de estrutura teria em termos arquitectónicos. No entanto, os vestígios visíveis fazem-nos adiantar que poderemos estar na presença de um monumento de câmara tipo cistoide, de pequenas dimensões, com paralelos nos pequenos monumentos da Idade do Bronze que têm sido estudados nos últimos anos sobretudo na zona de Viseu. Se assim for, deve relacionar-se igualmente com o monumento da Pedra da Moura 12/Cerqueira 5.

A mamoa, bem destacada na paisagem, apresenta contorno circular com 9 m de diâmetro e quase 1 m de altura, integrando igualmente alguns afloramentos rochosos.

Em 1956 Albuquerque e Castro e equipa colocam nesta área um monumento que não descrevem, a Pedra da Moura 11 (Castro, et alii, 1956). Ana Bettencourt e Teresa Rebelo registam em 1988 um monumento que intitulam de Cerqueira 5 que fazem corresponder ao Dólmen da Pedra da Moura 11 de Castro e equipa (Bettencourt e Rebelo, 1988/89: 13).

Assim, ao certo não sabemos a qual destes dois monumentos corresponderá a Pedra da Moura 11. No entanto, se, como parece, a equipa de 1956 apenas intervencionou as mamoas que apresentavam estruturas dolménicas preservadas, deixando por escavar as mamoas sem estruturas visíveis, então, a Pedra da Moura 12 poderá corresponder à mamoa registada como Cerqueira 5.

Monumento 12

Pequeno monumento reduzido à mamoa. Esta apresenta contorno circular com cerca de 8,50 de diâmetro e apenas cerca de 0,40 m de altura.

Encontra-se implantada a apenas uns 15m de distância do local onde estaria localizada Po monumento 2, sendo por isso um monumento satélite, de uma época posterior. Efetivamente, algumas necrópoles megalíticas do Centro de Portugal integram igualmente pequenos monumentos no entorno das grandes mamoas. Esses pequenos monumentos que podem encerrar um conjunto muito diferenciado de sepulturas, desde cistas a fossas abertas no saibro, são mais recentes do que os grandes dólmens, inserindo-se já na Idade do Bronze, com especial incidência para o final deste período, há cerca de 3000 anos.

Vídeos

Monumento 1

Fontes

Bibliografia

  • Bettencourt, A. (1981). “Contributos para a Carta Arqueológica do concelho de Sever do Vouga”. Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Trabalho escolar apresentado ao Instituto de Arqueologia da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. policop.
  • Bettencourt, A. (1988). “Carta arqueológica do concelho de Sever do Vouga”. Sever de Vouga, Portugal, 250p, policop.
  • Bettencourt, A. e Rebelo, T. (1988/89). Monumentos megalíticos da Serra do Arestal (Sever do Vouga Vale de Cambra). Inventário preliminar. “Portugália”. Porto. Nova série:9-10: 7-30
  • Castro, L. A., Ferreira, O. V. e Viana, A. (1957). Acerca dos monumentos dolménicos da bacia do Vouga. “Actas do 23º Congresso LusoEspanhol para o Progresso das Ciências”. Coimbra. pp. 471-481
  • Girão, A. de A. (1921). “Antiguidades Préhistóricas de Lafões”. Coimbra
  • Leisner, V. (1998). “Die megalithgrãber der iberischen halbinsel. Der Western. Walter de Gruyter”. Berlin - New York
  • Moita, I. (1966). Características predominantes do grupo dolménico da Beira Alta, “Ethnos”, V: 189-277, XX Est.
  • Pêgo, M. C. C. (2002). Roteiro do Megalitismo - Legados de Sever do Vouga. Câmara Municipal de Sever do Vouga
  • Ramos, F. S. (1998). Sever do Vouga - Uma Viagem no Tempo. Sever do Vouga. Câmara Municipal de Sever do Vouga
  • Raposo, J. (2001). Sítios arqueológicos visitáveis em Portugal. “Almadan”, 2ª série: 10
  • Silva, F. A. (1997a). A arte megalítica da Bacia do Médio e Baixo Vouga. “Brigantium”. 10: 123-148

Ligações

cerqueira_conjunto_megalitico.txt · Esta página foi modificada pela última vez em: 2020/05/11 19:09 (Edição externa)