Ferramentas de Utilizador

Ferramentas de Site


castelo

Castêlo

Localização

Cronologia

Idade do Bronze.

Descrição

Os topónimos “Castêlo” e “Monte do Castelo” são o registo escrito da tradição popular de que neste sítio teria existido uma povoação antiga.

A exploração de pedra no topo aplanado deste monte feita nos meados do séc. XX, terá destruído parte importante de um povoado construído provavelmente no final da Idade do Bronze. Embora nunca tenham sido efectuadas escavações arqueológicas no local, os revolvimentos de terras resultantes tanto da referida exploração de pedra, como da instalação de uma antena, permitiram a recolha à superfície de diverso espólio.

Efetivamente, por volta dos anos 80 do séc. XX, o pároco de Cedrim, o Padre Américo, encontrou enterrado um vaso junto a uns afloramentos que ofereceu ao Monsenhor Celso Tavares da Silva. Este vaso e outros materiais arqueológicos foram mostrados a A. Bettencourt, que os estuda em 1988 (Bettencourt, 1988). Do conjunto de peças então encontradas, e para além do referido vaso, aparecereu uma mó manual, uma enxó e vários outros fragmentos de cerâmica. Numa visita recente a este sítio foi possível encontrar mais fragmentos de cerâmica semelhantes.

Deste conjunto de peças, é de salientar o achado de vários fragmentos de vasos tronco-cónicos, sendo um deles o vaso achado pelo Padre Américo e estudado por Bettencourt. Embora seja um tipo de vaso bastante frequente em contextos funerários dos inícios e meados da Idade do Bronze, como é o exemplo do vaso da Mamoa da Terranha, na União das Freguesias de Silva Escura e Dornelas.

Ainda hoje se podem observar vestígios de muros no local, na maioria compostas por linhas de pedra miúda a fechar os espaços entre os penedos graníticos. No entanto, a sul e a este, por onde é mais fácil o acesso ao monte, podem-se observar partes de muralha compostas por blocos de grande dimensões.

De registar igualmente que num afloramento granítico se encontram cinco motivos gravados de representações geométricas e lineares. Uma das gravuras são três quadriláteros inseridos uns nos outros, providos de quatro apêndices radiais e covinha central, que ocupam o topo aplanado do afloramento granítico mais elevado. Trata-se de um jogo milenar que chegou até nós com o nome de Ric-rac.

O Castêlo é, assim, um pequeno povoado amuralhado, dos finais da Idade do Bronze (± 1100/800 a. C.) que ocupava uma área aplanada à cota média dos 520 m.Teria uma área aproximada de 0,5 ha, onde terão vivido cerca de 550 pessoas. O seu amplo domínio visual, sobretudo para este e sudeste, faz-nos colocar a hipótese que, à semelhança dos outros povoados congéneres do concelho, também terá havido uma preocupação pertinente no controlo territorial, assumindo-se como um ponto forte na construção do espaço social do Bronze Final. A sua posição geoestratégica e dimensão faz-nos colocar a hipótese de se tratar de um “povoado central”, que ocuparia um lugar de destaque na hierarquia do restante povoamento deste período.

Fontes

Bibliografia

castelo.txt · Esta página foi modificada pela última vez em: 2020/06/08 12:12 por mmsv