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bracal_malhada

Braçal e Malhada

Localização

Cronologia

Romano / Séc. 19 e 20

Descrição

“Localizadas na vertente do Rio Mau, na encosta Este da Serra do Braçal, as minas da Malhada fazem parte, de um dos maiores jazigos da região metalífera da parte ocidental do distrito de Aveiro. Estas minas resultam do processo de alargamento para norte das minas do Braçal.

Efetivamente, quando nos anos 30/40 do séc. XIX se procedia ao reconhecimento da área circundante da mina do Braçal, descobriu-se, cerca de 1000 m a norte, uma galeria já existente que cobria um novo filão, dando origem a uma ampliação da área em 1850. Os trabalhos iniciaram-se um ano depois, tendo tido como ponto de partida não só a galeria descoberta como também um poço já existente, embora entulhado, o Poço de Mouros, um poço com 50m de profundidade e 80m de galerias entivadas. Estas estruturas já existentes foram determinantes para a concretização da exploração da época contemporânea.

A grande antiguidade da exploração desta mina foi testemunhada primeiro por Carlos Ribeiro, em 1853, ao referir um conjunto de achados: peças de entivação de madeira de sobreiro e de castanho, em perfeito estado de conservação, uma trança formada por quatro correias de couro e um provável balde (Ribeiro, 1853).

No entanto, foi apenas em 1943, depois de ter sido constituída a Companhia Industrial e Agrícola do Braçal (Junho de 1942), que se fazem novos achados de peças da época romana. De facto, esta empresa concessionária inicia ainda em 1942 o aproveitamento das escombreiras, baseando-se nos resultados falseados da amostragem apresentada pelo técnico encarregado dos estudos (Ramos, 1979/1980). O fracasso era previsível e foi evidente após a conclusão da lavaria. Foi na sequência destes maus resultados, e num plano de salvamento da empresa, que o director técnico, engenheiro João Vidal, implementou a limpeza das galerias de esgotos das minas inundadas desde 1860, empreendendo-se então os trabalhos de exploração em pleno.

Foi neste contexto que surgiram então quatro peças cerâmicas da época romana: uma taça em terra sigillata hispânica, datada de 14-60 d. C. e três lucernas (uma inteira, outra incompleta e 1 fragmento de asa) datadas de 5 a. C. a 75 d. C. (Martins, 2011: 498). Destaque especial para uma destas lucernas que se apresenta decorada com um motivo de um gladiador, um retiarius, que segura uma rede com o braço esquerdo levantado e com a mão direita agarra uma espécie de lança (Martins, 2011: 498). As lucernas (candeias) eram colocadas nuns pequenos nichos no interior da galeria, fornecendo a única iluminação que os mineiros viam durante dias, meses ou anos. A pequena taça em sigillata hispânica poderá, segundo Carla Martins, estar relacionada com libações a divindades no interior das minas que se prendiam certamente com o aspeto precário das suas vidas, más condições de trabalho e elevada taxa de mortalidade (Martins, 2011: 499).

A exploração romana do complexo mineiro Braçal/Malhada foi uma exploração seletiva, perseguindo-se o filão até este se esgotar. Os mineiros desta zona eram confrontados com a dureza de algumas rochas, sobretdo do quartzo, que, muitas das vezes, obrigava a usar métodos mais expeditos do que apenas o pico, o martelo e as cunhas. Assim, poderão ter sido utilizados processos que passavam pelo choque térmico, aquecendo a rocha e deitando-lhe de seguida água fria o que provocaria o seu estalamento, justificando assim, o “cheiro sui generis que se torna picante e mais intenso por efeito da combustão” referido por Carlos Ribeiro a propósito das madeiras de entivação (Martins, 2011: 496; Ribeiro, 1853).

Carla Martins identificou recentemente 4 galerias romanas, três delas com secção retangular e tetos planos e uma com secção ligeiramente trapezoidal com teto abobadado. As primeiras apresentam uma altura entre os 0,70m e os 0,90m e a última 1,75m (Martins, 2008, 2010 e 2011). O chumbo foi o principal produto extraído deste complexo mineiro, podendo a prata ter sido um sub-produto. A exploração desta mina na época moderno-contemporânea é-nos descrita por Cabral (1859: 19-27) que refere que esta tinha início num poço central que a cerca de 8m de profundidade revelou baixos teores de galena. Foi entretanto aberta uma galeria com 8m de comprimento que comunicava com a margem direita do Rio Mau. A 13 m de profundidade um filão mais estreito foi descoberto, mas os trabalhos terão parado devido aos baixos níveis de galena e à presença de trabalhos da época romana, que frequentemente provocavam o colapso das estruturas. Isto também pôde ser observado a cerca de 17,40m de profundidade, num primeiro piso, quando a abertura de uma galeria que desembocou numa galeria romana. No 2º patamar, a 25,5m de profundidade, foi encontrada uma outra galeria que contudo estava obstruída por detritos. Num terceiro nível e a cerca de 35,60 m de profundidade, observou-se um filão com cerca de 1,5m de largura, que se dividia em dois, tendo um deles, o do lado norte, sido explorado em época romana. No 4º patamar e à profundidade de 45,5m um depósito com cerca de 1,5m de espessura foi igualmente explorado na época romana. No 5º piso à profundidade de 55,60m foi observada uma galeria sinuosa que evitava pontos de contato com os restantes patamares, áreas estéreis e inundáveis.”

Imagens

Vídeos

Complexo Mineiro Braçal/Malhada

Histórias de um mineiro do Braçal * RTP, 2019

Últimos Mineiros * MMSV, 2016

Fontes

Bibliografia

Ligações

bracal_malhada.txt · Esta página foi modificada pela última vez em: 2020/05/11 19:09 (Edição externa)