14 – Os Séculos da Memória

Iluminação Publica
A primeira notícia da iluminação elétrica do concelho data de 1919 e a autorização para instalar uma rede em baixa tensão deve-se a João Martins Pereira Amaral em 1923. Todavia a Câmara não acedeu à solicitação e só em 1926 se concretizou a rede de energia elétrica na vila, sujeita a uma remodelação em 1934. O fornecimento fazia-se a partir da hidroelétrica de Sever do Vouga, instalada na Ribeira de Sever, na Arrota, propriedade de João Martins Pereira Amaral. Tratava-se de uma central hidroelétrica que possuía uma reserva térmica com a potência máxima de 15 KW.

Em 1926 surge então a primeira iluminação pública com apenas 10 lâmpadas. Em 1938, a Sociedade Industrial do Vouga instala no Rio Vouga, em Pessegueiro do Vouga, uma central hidroelétrica com uma potência máxima de 602 KW.

A eletrificação do concelho concretiza-se a partir do contrato com a União Elétrica Portuguesa em 1948 e durante a década de 1950 estendeu- -se às várias freguesias do concelho por decisão da Câmara Municipal.

Contudo, em Sever do Vouga, a Companhia Mineira e Metalúrgica do Braçal e a Sociedade Industrial do Vouga construíram as suas próprias centrais elétricas para a execução das suas atividades produtivas. A primeira, instalou três hidroelétricas duas nas Minas do Braçal e uma nas Talhadas, enquanto a segunda implementou uma central no rio Vouga, junto a Pessegueiro do Vouga.

Projeto Shell
A “Experiência Agrícola de Sever do Vouga”, decorrente do projeto Shell, ocorreu entre 1958 e 1968 e durante esse período a Shell colocou neste município o Eng.º Agrónomo Reinaldo Jorge Vital Rodrigues com o objetivo de aconselhar os agricultores. Porquê Sever do Vouga? Precisamente por se tratar de um concelho muito acidentado em termos topográficos, com uma propriedade agrícola extremamente fragmentada e uma população com muito baixo nível de escolaridade.  

Deste modo, procurava-se incrementar e realizar extensão agrícola e elevar o nível de conhecimentos dos agricultores do concelho. 

 Releve-se ainda a importância deste projeto em iniciativas de caráter social, de formação profissional e no apoio aos cuidados maternos.

Santa Casa da Misericórdia
Deve-se ao Comendador Augusto Martins Pereira a fundação desta obra de Assistência Social. Datada de 1950, por iniciativa de uma Comissão Instaladora, a denominada Casa dos Pobres, que tinha como objetivo acabar com a mendicidade nas ruas.

Depois da construção do Cine Alba em 30 de setembro de 1951, Augusto Casa dos Pobres, o Asilo dos Pobres e o Posto Hospitalar, para obviar às condições precárias de uma vasta camada da população do Concelho. 

Transportes; Vias de Comunicação
Para o transporte de pessoas, mercadorias e correio foi criado um serviço de diligência, pertença da “Companhia Industrial Provinciana” fundada em 1885, pelo Comendador António Martins Henriques, sediada na Grela. Porém, após a inauguração da linha de circulação do Vale do Vouga, troço Sernada-Viseu, aquele transporte caiu em desuso em 1914. O troço Sernada- -Viseu veio, também, a ser suspenso em 1972. 

As Barcas do Vouga  
Considerado porto fluvial, no lugar do Poço de S. Tiago, embora não tivessem sido feitas obras para tal, o Rio Vouga era navegável de Pessegueiro do Vouga até à Ria de Aveiro, permitindo, assim, desenvolver trocas comerciais. Os barqueiros eram essencialmente de Sóligo e levavam para Aveiro lenha, carqueja, laranja, etc., trazendo de Aveiro sal, peixe, tijolo, telha e as novidades. 

Ponte de Pessegueiro do Vouga
Outra ponte de grande valor arquitetónico é a ponte sobre o rio Vouga, que liga as freguesias de Paradela a Pessegueiro do Vouga. A travessia e ligação entre as duas freguesias fazia-se atravessando o rio numa pequena barca poucos metros a jusante da referida ponte. Fazia-se, quando o rio o permitia. No Inverno, quando as cheias eram mais frequente, a situação complicava-se. Esta ponte foi construída no local onde as margens mais se aproximavam. Esta obra deve-se ao dinamismo do abade Manuel António Dias Santiago, de Pessegueiro, o qual disponibilizou 8000 cruzados. Posteriormente, com a construção entre 1872 e 1874 da estrada de acesso a Sever do Vouga esta ponte foi usada para proporcionar uma mais eficaz circulação de pessoas e de mercadorias com a sede do concelho. Na década de 30 do século XX, esta ponte passou a estar inserida na rede nacional de estradas criada pela Junta Autónoma de Estradas com o nome de EN16. 

Para saber mais